Eu nunca havia chorado dessa maneira. Sempre chorei acrescentando algo a mim, dor, angustia, raiva… Mas hoje eu chorei como se algo estivesse faltando, ela tava faltando. Ela terminou comigo, como se mais nada importasse, daquele jeito dela de que, tudo passa, existe coisa pior. Terminou comigo, sem nem um abraço de despedida, eu deveria saber, fria do jeito que era, o aperto de mão bastou para ela. Foi embora e a unica coisa que sobrou lá foi nada, literalmente nada. Nem o cheiro dela, nem o riso, nem o choro, nem o ar de vai fazer falta, nada. Ela foi, buscando o melhor pra ela, egoísta e individualista, pensou só nela e os meus sentimentos não importaram como sempre. Acho que nem os dela, do jeito que eu a conhecia, nem os dela. Eu só pensava em como alguém poderia ser daquele jeito e por mais insignificante que fosse eu ainda lembrava o que ela mais gostava de comer, de fazer, de pensar. Ainda lembrava o jeito de falar e escrever. Eu queria que ela fosse insignificante pra mim também. Chorava daquela maneira estranha, porque por mais dolorido que fosse, era bom lembrar daquelas palavras, das ultimas palavras antes do aperto de mão, palavras tipicas dela, roubadas de um livro com certeza, ” é que você me inventou e eu te inventei e é por isso que nós não damos mais certo”.